Criar relações seguras 5. 4. 2

Author/s: Yoana Filipic

Keywords: relações seguras, limites, manter os limites

Indo além da educação, a criação de relações seguras é um tema de intenso interesse teórico e empírico no âmbito do ensino e aconselhamento. A relação de colaboração entre o facilitador e o utilizador do serviço no contexto do ensino é definitivamente um preditor dos resultados dos programas. Esta área de investigação levanta a questão de por que é que os investigadores na área da psicologia do desporto não consideraram examinar o “nós” da relação, além dos dois diferentes “eus” ou dois distintos indivíduos na relação diádica.

A base para a relação profissional é o respeito pela dignidade, valor e direitos do cliente. Os facilitadores demonstram respeito quando mantêm “limites adequados e garantem que a sua relação com as pessoas com deficiência é sempre para seu benefício. Outra característica importante da relação é a confiança, ou seja, a crença de que os facilitadores possuem os conhecimentos e competências necessárias para determinado programa e que irão manter o sigilo, se partilhada uma experiência pessoal. Os limites são uma parte muito importante da relação, pelo que uma distância emocional e física adequada é necessária para manter a objetividade e o profissionalismo durante o ensino dos utilizadores do serviço. Este facto está também relacionado com o desequilíbrio de poder e o facilitador deve permanecer focado na meta da relação, a fim de evitar abusos. O que é importante é o sentido de proximidade e empatia, o qual é necessário para compreender e reagir adequadamente quando a pessoa com deficiência se sente ansiosa e está em sofrimento (Papouli, 2014; Reamer, 2003).

Exemplos de sugestões para criar uma relação segura:

  1. Honre o estilo de interação de cada membro
  2. Convide os utilizadores a partilhar experiências e pensamentos sobre o programa
  3. Mostre gratidão quando ouvido e respeitado
  4. Convide as famílias de outros profissionais para participar em eventos especiais
  5. Dê um tempo quando vir um utilizador em sofrimento e fale com ele/ ela
  6. Respeite as diferenças culturais e familiares individuais

Os limites profissionais são uma componente chave de qualquer ética profissional. Nem todos os problemas relacionados com estes limites são antiéticos, mas muitos deles são (Reamer, 2003). Fatores como o envolvimento emocional com um utilizador do serviço, um desejo de doutrinar religiosamente ele ou ela, potencial ganho financeiro e um desejo de explorar o utilizador de outras formas pode, por vezes, levar a ultrapassar esses limites de uma forma antiética (Papouli, 2014; Reamer, 2003).

Isto significa que manter os limites profissionais, às vezes, significa equilibrar códigos de ética pessoais e profissionais (Reamer, 2003).

O quadro de formação de Bowler e Nash's (2014) inclui discussões sobre as diferenças entre dois tipos de relação – profissional e pessoal. Em termos comportamentais, estabelecem algumas categorias importantes – remuneração, propósito da relação, equilíbrio de poder na relação e responsabilidade pela relação. Estas categorias são muito diferentes, tendo em consideração as suas implicações na relação profissional e pessoal. No que toca ao comportamento, as relações profissionais são regulamentadas por normas e códigos de ética profissionais; por outro lado, as relações pessoais são guiadas por crenças e valores pessoais. Nas relações pessoais, não é necessária qualquer remuneração, enquanto que nas relações profissionais, o facilitador é pago para educar o cliente. Há um contrato de trabalho que estabelece os termos deste pagamento.

A seguir, apresentamos um cenário de exemplo para ajudar os facilitadores a compreender a diferença entre os dois tipos de relação em situações do mundo real e como tal os pode beneficiar quando feito corretamente.

Situação: Você é um facilitador de atividades desportivas que trabalha num centro de reabilitação de pessoas com lesão cerebral adquirida. Uma pessoa com uma lesão traumática foi internada há um mês e você tornou-se particularmente ligado a ela. A sua família é distante e não está particularmente interessada no seu sucesso no desporto. Quando ganha uma competição, decide comprar-lhe um presente de 30€ e fazer-lhe um bolo. A pessoa fica muito feliz. Você sente-se satisfeito.

Acha que deveria fazer isto? Se sim, porquê? Se não, porquê?

Resposta: No seu entusiasmo de fazer algo especial para a pessoa, você diferenciou, de modo independente, um cliente. Você não teve o cuidado de ter em consideração o significado mais amplo do dar um presente a essa pessoa. Como consequência, um outro cliente do grupo de atividades físicas pode sentir-se excluído. Além disso, o dar o presente pode ser visto como uma tentativa de você criar uma relação especial, pessoal, para além dos limites da relação profissional. A reação da pessoa pode criar um elemento de apego e esperança de amizade e socialização fora do centro.

Smith et al (1997) facultaram-nos uma lista de exemplos de sinais de aviso para os facilitadores saberem que o seu comportamento ultrapassou os limites da relação profissional (Smith et al 1997). A lista não é exaustiva, mas dá uma panorâmica de algumas situações comuns de que a nossa relação com um utilizador se tornou confusa:

  • Pensar frequentemente no utilizador quando não está no trabalho
  • Planear frequentemente atividades de outros utilizadores à volta das necessidades daquele utilizador
  • Procurar o contacto social ou passar tempo livre com o cliente
  • Partilhar informação pessoal ou preocupações laborais com o cliente que podem levar o utilizador a vê-lo como um amigo e já não como um profissional
  • Ter sentimentos tão fortes em relação aos objetivos do cliente que os comentários dos colegas ou os desejos do cliente ou da sua família são desconsiderados
  • Esconder de outros aspetos da relação com o cliente
  • Toques físicos mais frequentes do que o normal ou necessário para a situação
  • Pensamentos românticos ou sexuais relação ao cliente

References

Bowler, M. & Nash, P. (2014). Professional Boundaries in Learning Disability Care. Nursing Times, 110, 12-15.

Papouli, E. (2014). The Development of Professional Social Work Values and Ethics in the Workplace: A Critical Incident Analysis from the Students’ Perspective. Retrieved from http://sro.sussex.ac.uk/48325/... on 29.6.2018

Reamer, F. (2003). Boundary Issues in Social Work: Managing Dual Relationships. Social Work, 48 (1). 121-133.

Smith, L.L., Taylor, B.B., Keys, A.T. & Gornto, S.B. (1997). Nurse-patient boundaries: Crossing the line. American Journal of Nursing, 97 (12), 26-32.