Como planear uma atividade física adaptativa 5. 1.

Author/s: Valentina Bolšec, Jasna Vešligaj Damiš

Keywords: atividade física, adaptação, pessoas com deficiência, desporto, barreiras

Uma forma de vida ativa significa integrar a atividade física nas rotinas diárias. O nosso corpo foi feito para se mexer e ser fisicamente ativo. A atividade física inclui andar a pé ou de bicicleta para o transporte, dançar, jogos e passatempos tradicionais, jardinagem e trabalho doméstico, bem como desporto ou exercício deliberado (Edwards and Tsouros, 2008).

Qualquer atividade física, movimento e participação em desportos, pode ser benéfica, pois tem efeitos positivos na nossa saúde, algo que é particularmente importante para as pessoas com deficiência. Quando planeamos uma atividade física para pessoas com deficiência, referimo-nos à mesma como atividade física adaptada (Reid, 2003).

Quando planeamos uma atividade física para pessoas com deficiência, deve ser dada especial atenção à adaptação de determinadas áreas.

Figure 5: https://www.birmingham.ac.uk/Documents/college-les/sportex/Physical-Activity-Disability-Infographic.pdf

Figure 5: https://www.birmingham.ac.uk/Documents/college-les/sportex/Physical-Activity-Disability-Infographic.pdf

O que se adapta?

  • O meio-ambiente
  • O equipamento
  • Os jogos
  • As regras
  • Os exercícios
  • Adaptar de acordo com a idade – desde a primeira infância até às idades mais avançadas (Wittmannová, 2018).

As pessoas com deficiência podem participar em atividades desportivas para pessoas fisicamente capazes, mas poderão precisar de equipamento ou adaptações adicionais. Nem todos os desportos são apropriados para toda gente. Determinados desportos podem ser

recomendados e apropriados para determinada deficiência. Existem também desportos criados especialmente para pessoas com determinada deficiência, por exemplo o goalball para invisuais (Burger, 2010).

Como escolher os desportos?

No “Quadro de Possibilidade de Participação”, encontramos algumas das principais deficiências físicas e as principais atividades desportivas. Foi concebido pela A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (Adams 1991, v Burger 2010). Há muito poucos desportos aos quais não é possível fazer adaptações e as pessoas com deficiência não poderão participar nos mesmos.

PARTICIPATION
POSSIBILITY
CHART

Archery

Bicycling

Tricyclinh

Bowling

Canoeing/kayaking

Diving

Fencing

Field events*

Fishing

Golf

Horseback riding

Rifle shooting

Sailing

Scuba diving

Skating (roller & ice)

Skiing (downhill)

Skiing (cross-country)

Swimming

Table tennis

Tennis

Tennis (wheelchair)

Track

Track (wheelchair)

Weight lifting

Wheelchair poling

Baseball

Softball

Basketball

Basketball (wheelchair)

Football (tackle)

Football (touch)

Football (Whellchair)

Ice hockey

Sledge hockey

Soccer

Soccer (wheelchair)

Volleyball

AMPUTATIONS

Upper Extremity

RA

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RA

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RA

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A

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Lower Extremity (AK)

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RA

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RA

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Lower Extremity (BK)

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CEREBRAL PALSY

Ambulatory

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Wheelchair

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SPINAL CORD DISRUPTION

Cervical

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RA

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X

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IA

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RA

IA

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I

IA

High-thoracic (T1-T5)

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RA

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IA

IA

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RA

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RA

Low thoracolumbar (T6-L3)

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RA

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RA

RA

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RA

Lumbosacral (L4-sarcal)

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NEUROMUSCULAR DISORDERS

Muscular dystrophy

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Spinal muscular atrophy

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Charcot-Marie-Tooth

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Ataxias

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OTHERS

Osteogenesis imperfecta

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X

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X

X

X

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Arthrogryposis

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X

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Juvenile rheumatoid arthritis

RA

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RA

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Hemophilia

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X

I

X

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Skeletal dysplasias

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R

R

R

RA

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R

R

R

R

I

R

R

R

I

R

R

R

R

* Clubthrow, discus, javel, shotput
R = Recomemended
I = Individualized
A = Adapted
X = Not Recommended

Table 4: Participation possibility chart. Adams, 1991

Barreiras

Ao planejar atividades desportivas para pessoas com deficiência, temos também de referir as várias barreiras. Bragaru et al, 2013, expuseram alguns fatores que estão negativamente associados à participação desportiva:

  • Barreiras técnicas: incluem fatores relacionados com o transporte, próteses, informação, etc.
  • Barreiras sociais: incluem a falta de ajuda nas interações com grupos sociais ou com os parceiros desportivos.
  • Barreiras pessoais: incluem fatores relacionados com a saúde física ou com atributos psicológicos e até com a gestão do tempo.
  • Existem outras barreiras com influência na participação desportiva: idade avançada, mau tempo, custos elevados, entre outros.

No capítulo 5.3.5 Desafios para Facilitadores e Utilizadores de Serviços, é possível encontrar uma descrição e distribuição mais detalhada das barreiras.

Como planear uma atividade física adaptativa?

O planeamento de uma atividade física adaptativa pode ser demonstrado através de um modelo cíclico:

Figure 6: PAIE model for planning an Adaptive Physical Activity (Vešligaj Damiš, 2018)

Figure 6: PAIE model for planning an Adaptive Physical Activity (Vešligaj Damiš, 2018)

O primeiro componente do modelo PAIE é o planeamento de um programa desportivo ou atividades desportivas. Envolve tomar decisões sobre a escolha do desporto, de acordo com o desejo do atleta com deficiência e de acordo com as suas capacidades e tendo em consideração as características pessoais de um atleta com deficiência, decisões sobre as adaptações necessárias, gestão de obstáculos e análise de riscos.

Ao planear um programa desportivo ou atividades desportivas, devemos ter em conta as especificidades da deficiência do indivíduo, bem como as recomendações relativamente à prescrição de exercício (frequência, intensidade, duração). Além do conhecimento geral na área do desporto, os treinadores devem ter também conhecimentos sobre as especificidades das pessoas com deficiência e conhecer a importância e as possibilidades de exercício físico nas pessoas com deficiência.

Se as atividades desportivas para pessoas com deficiência forem bem planeadas, são seguras e apropriadas para eles e, sobretudo, os atletas mostram satisfação pessoal em alcançar objetivos pessoais no desporto. Para os atletas com deficiência, a atividade desportiva é planeada de acordo com as suas capacidades funcionais, físicas, interesse e acessibilidade. Pode ocorrer num ginásio ou ao ar livre, individualmente ou em grupos.

Ao planejar um programa desportivo, procuramos respostas para uma série de questões importantes, tais como:

  • Quais são as competências atuais do indivíduo, um atleta com uma deficiência?
  • Que tipo de atividade é apropriada para este indivíduo?
  • Que competências e capacidades precisam de ser avaliadas para este indivíduo?
  • Que tipo de interesses é que um atleta com deficiência tem agora e quais terá no futuro?
  • Quão eficaz é o programa em satisfazer as necessidades deste indivíduo?
  • O indivíduo obterá algum benefício com a participação neste programa?
  • Que competências novas aprenderá o indivíduo neste programa?
  • É possível e necessário melhorar as instruções para um indivíduo neste programa?
  • Como irá melhorar a sua qualidade de vida depois de entrar no programa?

É necessário ter em conta que conseguimos obter uma melhor motivação dos atletas com deficiência, incluindo novas atividades, trabalhando com atletas sem deficiência ou praticando com a música. É possível conseguir uma persistência maior no treino se o participante for elogiado e recompensado quando concretiza o objetivo pretendido ou podemos ajudar-nos a nós próprios com tecnologia moderna, por exemplo, jogos de computador interativos envolvendo atividade física (Saunders, 2016).

O exercício físico regular com a intensidade e frequência adequada, em pessoas com deficiência, pode ser dificultado por uma série de fatores. Fatores pessoais incluem depressão, fadiga, desinteresse, má perceção, desadequada autoavaliação das próprias capacidades, valores negativos em relação ao exercício físico, medo (de cair, da derrota, etc). No que toca aos fatores ambientais, é muito importante que o indivíduo tenha apoio familiar e social. É também importante que haja centros de treino disponíveis e que os custos de transporte e exercício sejam baixos.

O treino de um desporto traz também um risco para as pessoas com deficiência. Portanto, ao preparar o programa desportivo, é importante fazer uma análise de riscos que abranja todos os possíveis perigos do desporto e exercício físico para pessoas com deficiência. Baseamos o nosso pressuposto no facto de que os benefícios da prática desportiva compensam o risco.

O segundo componente do modelo PAIE é a avaliação, que inclui o processo sistemático de observar o atleta com deficiência, com base no qual serão averiguadas as suas necessidades e evolução. É uma abordagem multifacetada de recolher informação sobre o sucesso e capacidade de um indivíduo. É uma parte integrante da implementação eficaz da atividade física. Trata-se de um processo contínuo que ocorre antes, durante e após a implementação do programa (Kasser & Lytle, 2013).

A avaliação abrange diversas áreas: análise, decidir sobre os suportes, planeamento e execução, avaliação do progresso e teste para classificação no desporto (Kasser & Lytle, 2013). A avaliação pode ser realizada com testes padronizados (testes, questionários ou escalas) ou com testes não-formais (gravação, análise de tarefas, observação comportamental, comunicação, utilização de tecnologia de suporte, etc).

O terceiro componente do modelo PAIE é a implementação dos programas desportivos e aprendizagem. Os atletas com deficiência realizam ativamente a atividade desportiva escolhida e adquirem experiência com base nas suas necessidades aferidas. No caso de envolvimento em desporto, estamos a falar de escolha: hoje, os participantes devem ter a opção de escolher e a pessoa com deficiência pode participar em atividades desportivas e em desportos, em conjunto com colegas sem deficiência e concorrentes, ou em ambientes separados. As atividades acessíveis abrangem uma gama de oportunidades que vão desde o “envolvimento em circunstâncias convencionais” até à “inclusão em oportunidades para pessoas com deficiências específicas” (Kiuppis, 2018).

O último componente é uma avaliação que é feita tanto para os atletas com deficiência, como para os programas e atividades desportivas. É importante verificar se o programa é adequado, se satisfaz o atleta com deficiência e permite que ele/ ela atinja os objetivos definidos para si. Com base na avaliação, serão feitas propostas de alterações necessárias.

References

Bragaru, M., Van Wilgen, C. P., Geertzen, J. H., Ruijs, S. G., Dijkstra, P. U., & Dekker, R. (2013). Barriers and facilitators of participation in sports: a qualitative study on Dutch individuals with lower limb amputation. PLoS One, 8(3), e59881.

Burger, H. (2010). Sport for disabled. In M. Kovač, G. Jurak and G. Starc (ed.), Proceedings of the 5th International Congress Youth Sport 2010 (29-30). Ljubljana: Faculty of Sport, University of Ljubljana

Edwards P, Tsouros AG. (2008). A healthy city is an active city: a physical activity planning guide. World Health Organization Europe.

Kasser, S.L., Lytle R.K., (2013), Inclusive Physical Activity-2nd Edition, Human Kinetics, Human Kinetics Europe Ltd, United Kingdom)

Kiuppis, F., & Kurzke - Maasmeier, S. (2012). Sport Im Spiegel Der UN-Behindertenrechtskonvention [Sports Reflected in the UN-Convention on the Rights of Persons with Disabilities: Interdisciplinary Approaches and Political Positions]. Stuttgart: Kohlhammer.

Reid, G. (2003). Defining Adapted Physical Activity. In R. D. Steadward, G. D. Wheeler and E. J. Watkinson (ed.), Adapted Physical Activity (11-25). Canada: The Univerity of Alberta Press

Saunders, D.H., Sanderson, H., Hayes, S., Kilrane, M., Greig, C.A., Brazelli, M., Mead, Ge. Physical fitness training for stroke patients. Cochrane Database of Systematic Reviews 2016: CD003316. DOI: 10.1002/14651858.CD003316.pub6.

Wittmannová, J. (2018). Šport za vse: opolnomočenje strokovnih kompetenc z izobraževanjem o prilagojenih športnih aktivnostih. In M. Pajek (ed.), 13. kongres športa za vse, športna rekreacija invalidov (17-22). Ljubljana: Olimpijski komite Slovenije–Združenje športnih zvez

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Table 4: Adams R.C., Mc Cubbin J.A. (1991). Games sport, and exercise for the physically disabled. London: Lea & Febiger