Recomendações para a atividade física 5. 4. 4

Author/s: Vladimir Jaćević

Keywords: recomendações para facilitadores, formação de profissionais, profissionais

A importância das atividades regulares com movimento para as pessoas com deficiência e os fatores que impedem a sua inclusão e implementação

A atividade física define-se como movimentos físicos que são produzidos pela musculatura esquelética e que requerem consumo de energia. Incluem atividades que são realizadas durante o trabalho, deslocações, brincadeiras, trabalho doméstico e atividades recreativas. A Organização Mundial de Saúde aconselha 150 minutos de atividade física moderada por semana (OMS, 2017). Em comparação com as pessoas que fazem exercício físico dentro deste limite, as pessoas inativas têm um risco de mortalidade de 20-30% mais elevado devido a várias causas (OMS, 2017).

Quando se fala de pessoas com deficiência, é essencial colocar o indivíduo em primeiro lugar. A deficiência não define a pessoa, sendo apenas um diagnóstico médico. De acordo com o modelo médico, a deficiência é definida como um problema médico e biológico, a ênfase é no tratamento, comparando com a prevenção e promoção da saúde. Por outro lado, o modelo social apresenta a deficiência como uma singularidade, sem condenação, e destaca as deficiências no sistema e os comportamentos discriminatórios como um obstáculo para a integração de pessoas com deficiência em atividades motoras (Martin, 2013).

Para as pessoas com deficiência, a atividade física é de extrema importância, devido ao seu elevado grau de influência sobre as doenças crónicas, nomeadamente devido ao seu efeito positivo sobre os problemas cognitivos, emocionais e sociais, devido aos seus benefícios psicológicos em termos de melhoria da autoimagem em experiências positivas durante o exercício, redução do stress, da dor e melhoria dos sintomas depressivos e devido aos seus benefícios sociais (melhor integração social, competências comunicacionais melhoradas, networking através da comunicação com profissionais e outros participantes (Jaarsma, 2014).

Apesar destes benefícios, existem obstáculos na integração de pessoas com deficiência em atividades físicas para a sua idade e tipo de deficiência. Os obstáculos podem ser individuais: falta de conhecimento de oportunidades para fazer exercício físico, medos, natureza dos défices e dor, falta de energia. Existem também barreiras sociais, tais como a falta de profissionais devidamente preparados (por exemplo, treinadores de ginástica, professores de educação física com competências especiais em atividades adaptadas para pessoas com deficiência), falta de equipamento necessário para a prática do desporto adaptado, desvalorização das capacidades das pessoas com deficiência pelos profissionais de saúde e outros especialistas. Os obstáculos também podem ser ambientais quando os locais para as atividades físicas não estão adaptados para serem utilizados por pessoas com deficiência (Martin, 2013).

Recomendações e orientações profissionais para o exercício físico

A atividade física é um dos fatores mais importantes para melhorar o estado de saúde das pessoas de todas as idades. Portanto, as recomendações e as orientações que a população em geral recebe dos especialistas é muito importante. Por exemplo, nos EUA, as US Physical Activity Guidelines 2008 (Diretrizes de Atividade Física para os Americanos de 2008) são aplicadas. As diretrizes contêm orientações, suportadas em conhecimentos científicos, para ajudar as pessoas com mais de 6 anos de idade a melhorarem a sua saúde através de atividade física adequada. Isto é ainda mais importante para as pessoas com deficiência, uma vez que estas tendem a ter estilo de vida menos ativo. De acordo com dados dos EUA, quase metade das pessoas com deficiência, que é capaz de fazer exercício físico, nem sequer faz exercícios aeróbicos. Por outro lado, a deficiência não deve ser equiparada a saúde de má qualidade, uma vez que a maioria das pessoas com deficiência é capaz de fazer exercício físico regular. Por esta razão, há nos EUA orientações especiais para as pessoas com deficiência que incluem as seguintes recomendações:

  • Os adultos com deficiência devem fazer, pelo menos, 150 minutos de exercício físico moderado por semana ou 75 minutos de exercício físico aeróbico mais intenso ou uma combinação equivalente de atividade motora moderada e intensa. A atividade aeróbica deve ser realizada em períodos de, pelo menos, 10 minutos e, de preferência, distribuída pela semana.
  • Os adultos com deficiência devem fazer também, duas vezes por semana, exercícios de intensidade moderada, ou de maior intensidade, que envolvam os maiores grupos musculares para aumentar a força muscular. Estas atividades têm efeitos positivos adicionais para a saúde.
  • As pessoas com deficiência, que não sejam capazes de cumprir estas orientações, devem fazer o exercício físico que se adeque às suas capacidades e evitar um estilo de vida fisicamente inativo.
  • Devem consultar um especialista sobre a quantidade, tipo e intensidade de exercício físico.
  • Além disso, as crianças e os adolescentes com deficiência devem respeitar as recomendações específicas para a prática de exercício físico adequado à sua idade e capacidades.

Ficou provado que o exercício físico desempenha um papel importante na manutenção da saúde, bem-estar e qualidade de vida. Ajuda a manter o peso corporal adequado, melhora o funcionamento mental, reduz o risco de morte prematura, doença cardíaca, diabetes tipo 2 e certos tipos de cancro. O exercício físico é muito útil para melhorar o funcionamento quotidiano e aumentar a autonomia das pessoas com deficiência (CDC, 2014).

O papel dos profissionais de saúde e de outros profissionais que tratam pessoas com deficiência na promoção do exercício físico

Os profissionais de saúde têm grande influência na quantidade de exercício físico que as pessoas de com deficiência fazem, uma vez que é mais provável elas os contactarem do que a outros especialistas. É também mais provável as pessoas com deficiência serem mais ativas se forem aconselhadas por especialistas.

Para incentivar as pessoas com deficiência a fazerem exercício físico, os especialistas podem seguir estes passos:

  • O exercício físico é recomendado a todas as pessoas com deficiência.
  • Ao fazerem exercício físico, as pessoas com deficiência seguem as recomendações gerais.
  • As pessoas com deficiência são orientadas e questionadas pelos por especialistas sobre questões específicas, tais como quantas vezes fazem exercício por semana, qual a duração dos exercícios, qual a intensidade, que exercícios fazem, como incluir mais exercício físico na sua vida, etc.
  • Os especialistas encorajam as pessoas com deficiência a falar sobre os obstáculos e limitações que enfrentam quando fazem exercício físico. Desta forma, obtêm informação sobre o indivíduo e as suas capacidades, informação esta necessária para preparar um programa adequado, para fazer uma preparação adequada do local, para fazer os ajustes necessários, para os especialistas darem a assistência necessária, e a extensão do apoio social.
  • Os especialistas precisam saber que oportunidades existem para as pessoas com deficiência fazerem exercício físico e de lhes facultar instruções e orientações adequadas para a prática de várias atividades físicas e em vários programas organizados (CDC, 2014).

A importância dos profissionais de ensino na área da atividade física adaptada para pessoas com deficiência

O termo de agora é atividade física adaptada. Refere-se a movimento, atividade física e desporto, com especial ênfase nos interesses e capacidades dos indivíduos com diferentes limitações, tais como, deficiência, problemas de saúde e idade. Esta área em crescimento exige o tratamento integrado de pessoas com deficiência, o qual inclui uma abordagem multidisciplinar e profissionais de diversas áreas (terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, treinadores, instrutores de desporto, professores de educação física, etc).

O desenvolvimento tecnológico e a acessibilidade de equipamentos modernos fazem com que seja mais fácil incluir mais e mais pessoas com deficiência, não só nas atividades recreativas, como também nas de desporto de competição. Por conseguinte, é necessária a formação contínua dos profissionais, assim como criar e aprender novos métodos e abordagens. Os especialistas com a abordagem e conhecimentos adequados podem incentivar as pessoas com deficiência a fazer exercício, monitorizando-os e prestando o apoio necessário, resultando em efeitos positivos na sua saúde e funcionamento.

References

CDC Centers for Disease Control and Prevention. Adults with Disabilities - Physical activity is for everybody. 2014 [cited 01/08/2018]. Retrieved from: https://www.cdc.gov/vitalsigns... on 20.6.2018

Jaarsma EA, Dijkstra PU, Geertzen JHB, Dekker R. Barriers to and facilitators of sports participation for people with physical disabilities: A systematic review. (2014) Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 24 (6), 871-881

Martin JJ. (2013). Benefits and barriers to physical activity for individuals with disabilities: a social-relational model of disability perspective Disability Rehabilitation. ;35(24):2030-7. doi: 10.3109/09638288.2013.802377. Epub 2013 Jun 19.

US Department of Health and Human Services. 2008 Physical Activity Guidelines for Americans, 2008. Retrieved from https://health.gov/paguideline... on 20.6.2018

WHO. Physical Activity Fact sheet [Internet]. 2017 [cited 01/08/2018]. Retrieved from: http://www.who.int/mediacentre... on 20.6.2018

WHOa. Prevalence of insufficient physical activity [Internet]. 2017 [cited 01/08/2018]. Retrieved from: http://www.who.int/gho/ncd/ris... on 20.6.2018